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	<title>Diário do Verde &#187; Mitos</title>
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		<title>Dizem as Matas</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Sep 2012 14:48:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Sandro Henrique Rodrigues Menezes]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Miradouro]]></category>
		<category><![CDATA[Contos Amazônicos]]></category>
		<category><![CDATA[Diário do Verde]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
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		<category><![CDATA[Reflexão]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Matintaperera, de tardinha vem buscar o tabaco que ontem à noite eu prometi, queira Deus ela não venha me agoniar,  Ah! Matinta, preta velha, mãe-maluca, pé de pato. queira Deus ela não venha me agoniar&#8230;&#8230; Matintaperera chegou na clareira e logo silvou&#8221;. (Música de Waldemar Henrique, letra de Antônio Tavernard) O folclore brasileiro é rico [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center">
<p style="text-align: center"><a href="http://www.diariodoverde.com/wp-content/uploads/2012/09/NOTURNO_Blair11.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-6625" src="http://www.diariodoverde.com/wp-content/uploads/2012/09/NOTURNO_Blair11.jpg" alt="" width="400" height="288" /></a></p>
<p style="font-size: 12px;text-align: right"><em>&#8220;Matintaperera,</em><br />
<em>de tardinha vem buscar</em><br />
<em>o tabaco que ontem à noite</em><br />
<em>eu prometi,</em><br />
<em>queira Deus ela não venha me agoniar, </em><br />
<em>Ah! Matinta, preta velha, mãe-maluca,</em><br />
<em>pé de pato.</em><br />
<em>queira Deus ela não venha me agoniar&#8230;&#8230;</em><br />
<em>Matintaperera</em><br />
<em>chegou na clareira</em><br />
<em>e logo silvou&#8221;.</em></p>
<p style="font-size: 12px;text-align: right"><em>(Música de Waldemar Henrique, letra de Antônio Tavernard)</em></p>
<p style="text-align: justify">O folclore brasileiro é rico em histórias e parábolas que enfeitam, justificam certos costumes e hábitos, explicam fenômenos e fatos cotidianos. Algumas histórias são anedóticas outras de arrepiar os incautos, os descrentes e os céticos mais declarados. Em especial na região amazônica os mitos e lendas, personificados em entes (figuras humanizadas) e animais, ambos dotados de características místicas ou mágicas, ou como se diz por aqui, possuem um &#8220;<em>fitiço</em>&#8221; (feitiço) para toda sorte de situações, povoam muito mais que o imaginário local.</p>
<p style="text-align: justify">Conheço muitos dos &#8220;antigos&#8221; (idosos que conhecem mutas história verídicas, nas suas versões, de incidentes nas matas), cheios de histórias e conhecimentos. Caçadores, lenhadores e carvoeiros. Negros quilombolas. Seringueiros (meu avô foi um). Índios. A mata é cheia de vida, na acepção mais plena da palavra. Transborda significados.</p>
<p style="text-align: justify">Vou contar uma, entre outras, história da Lú. Quando ela trabalhava em uma ONG junto a comunidades carentes na região do Baixo Tocantins, semanalmente fazia um percurso de mais de 80 Km mata a dentro ministrando oficinas e cursos de saúde e educação ambiental. Sempre na companhia do piloto da moto, Jailson.</p>
<p style="text-align: justify">Neste dia, já acostumados com o percurso semanal, distraídos num bate-papo, quando se deram conta estavam com aquela sensação de já ter passado por ali alguns minutos atrás. Uma risada meio nervosa entre os dois. Calma, <em>ainda</em> não estamos perdidos. parece que andavam em círculos. Rodaram, rodaram. Findava a tarde. O vento muda, os sons da mata mudam. &#8220;<strong><em>Lú, se anoitecer a gente procura uma árvore e sobe para passar a noite. Tem onça por aqui</em></strong>.&#8221; Rodaram, rodaram. Quando de repente, quando o fim da tarde se tornava penumbra perceberam algo como uma lufada forte de vento sacudindo a mata. Em seguida foram açoitados, ou como dizemos por aqui, foram <em>rimpados</em>, uma saraivada de <em>rimpadas</em> de todos os lados. Jailson acelerou a moto: &#8220;<strong><em>Lu não olha para trás</em></strong>!&#8221; Foram segundos incontáveis e impensados de temor que desconheciam ter.</p>
<p style="text-align: justify">&#8220;<em><strong>Lú não olha para trás</strong></em>&#8220;! Só passava pela cabeça da Lú uma questão:&#8221; &#8220;<em><strong>o que é isso, meu Deus?</strong></em>&#8221; Como em uma mata de copas altas, castanheiros (Castanha-do-Pará), seringueiras, cumarús, mognos, etc, com pouca ou nenhuma vegetação rasteira ou arbustos, só folhas secas pelo chão a desenhar infinitas trilas poderiam ocultar algo ou alguém que nos fizesse isso? Não tem nada, nenhum matinho mais alto, só folhas secas no pé das árvores.</p>
<p style="text-align: justify">Meia hora de agonia e silêncio. Pararam a moto. Só o ronco do motor. Um som de buzina. &#8220;<em><strong>É por aqui Lú!</strong></em>&#8220;, disse Jailson convicto. Eram pessoas da comunidade sinalizando a direção que estavam. &#8220;<em><strong>Nós estávamos ouvindo a moto de vocês um tempão. Devem &#8216;di tá&#8217; perdido no caminho, agente pensou, professora Luciana</strong></em>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify">A Lú voltou desta rodada semanal de cursos pelas comunidades da região com marcas nas pernas e braços, das tais &#8220;<em>rimpadas</em>&#8220;. Mesmo estando de calça e jaqueta jeans.</p>
<p style="text-align: justify">Hoje em dia a Lú pede licença para entrar na mata e nos rios.</p>
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