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  • Biomas do Brasil

  • Bioma é um conjunto de ecossistemas que formam uma comunidade estável e desenvolvida, adaptada às condições naturais de uma região e geralmente caracterizada por um tipo principal de vegetação. Abaixo, você tem a divisão do Brasil em nove biomas. Naturalmente, trata-se de uma classificação geral, pois no território brasileiro combinam-se vários tipos de ecossistema, de clima, de vegetação, de solo e de relevo, criando uma gama de sistemas ambientais em mudança constante.
    A formação dos biomas contou com a importante ação da espécie humana, atuante milhares de anos atrás. Com o uso do fogo, os homens ampliaram o cerrado, bem como agiram de forma decisiva na expansão da região das castanheiras, no Norte, e da floresta de araucárias, no Sul. Caçadores-coletores, cerca de 8 mil anos atrás, queimavam as matas nas bordas da Amazônia como técnica de caça. Há cerca de 4 mil anos, índios começavam a pôr fogo no coração da floresta para plantar, criando a técnica da coivara e modificando a configuração da mata.

    CAATINGA
    Abrigando o sertão nordestino, a caatinga tem uma vegetação típica de regiões semiáridas, com perda de folhas na estação seca. Sua área, de cerca de 800 mil quilômetros quadrados, registra secas prolongadas. Caatinga é uma palavra originária do tupi-guarani que significa “mata branca” (alusão às plantas sem folhas). Único sistema ambiental exclusivamente brasileiro, está presente nos estados do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Paraíba, de Pernambuco, de Sergipe, de Alagoas, da Bahia, do Piauí e do norte de Minas Gerais. As temperaturas médias anuais são elevadas: oscilam entre 25 °C e 29 °C. O clima é semiárido, e os solos são predominantemente rasos e pedregosos. Menos de 1% de sua área está protegida por unidades de conservação integral. A caatinga é um exemplo de convivência do homem com a vegetação natural, graças ao desenvolvimento de técnicas de cultivo em clima árido. São quatro séculos de presença humana sem a erradicação da cobertura vegetal, como se deu com a maior parte da mata Atlântica e ocorre com a Amazônia.
    Quanto à vegetação, as plantas da caatinga são xerófilas, ou seja, adaptadas ao clima seco e à pouca quantidade de água. Algumas armazenam água; outras possuem raízes superficiais para captar o máximo das chuvas. Há as que contam com recursos para diminuir a transpiração, como espinhos e poucas folhas. A vegetação é formada por três estratos: o arbóreo, com árvores de até 20 metros; o arbustivo, com vegetação de 2 a 5 metros; e o herbáceo, abaixo de 2 metros. Entre as espécies mais conhecidas estão a umburana, o umbuzeiro e o mandacaru. Com algumas dessas plantas são produzidos ceras, fibras, óleos vegetais e, principalmente, forragem para a pecuária, a base da renda dos vaqueiros e dos fazendeiros do sertão.

    CAMPOS
    Ocupam áreas descontínuas do país e aparecem na Região Norte na forma de savanas de gramíneas baixas no Amazonas, em Roraima e no Pará. Na Região Sul, os campos são pradarias mistas subtropicais. Os campos do Sul são formados, principalmente, pelos pampas gaúchos, região plana, de vegetação aberta e de pequeno porte, que se estende do Rio Grande do Sul ao Uruguai e à Argentina. A vegetação forma um tapete herbáceo que não atinge 1 metro de altura, com pouca variedade de espécies. Sete tipos de cacto e de bromélia são endêmicos dos campos da região.
    A vegetação dos campos reúne herbáceas, gramíneas e pequenos arbustos, com características diversas, conforme a região. Os campos em que predominam apenas as gramíneas são chamados de campos limpos. Quando há também os arbustos, são denominados campos sujos. Em áreas de altitude superior a 1,4 mil metros, são chamados de campos de altitude, como os da serra da Mantiqueira e do Planalto das Guianas. Os campos da hileia são um tipo de formação rasteira encontrada na Amazônia.

    CERRADO
    O segundo maior bioma brasileiro, teve a participação do homem em sua formação, com o uso intenso do fogo há mais de 10 mil anos (por povos caçadores-coletores e, depois, pelos índios). A presença de três grandes bacias hidrográficas da América do Sul na região (Tocantins-Araguaia, São Francisco e Prata) favorece a biodiversidade, bastante afetada pela expansão agrícola.
    A vegetação do cerrado caracteriza-se pela presença de pequenos arbustos e árvores retorcidas, com cortiça (casca) grossa e folhas recobertas de pelugem. Encontram-se, ainda, gramíneas e o cerradão, tipo mais denso de cerrado que abriga formações típicas de florestas, em especial árvores de até 20 metros, esparsas e disseminadas entre arbustos. O solo, deficiente em nutrientes e com alta concentração de alumina (mineral da bauxita) dá à mata uma aparência seca, de savana tropical. As plantas têm raízes longas, que retiram nutrientes e água do solo a mais de 15 metros de profundidade.

    FLORESTA AMAZÔNICA
    A maior floresta tropical do mundo atualmente, ocupa o norte do território brasileiro, nos estados do Acre, do Amazonas, do Pará, de Rondônia, de Roraima, do Amapá, de Mato Grosso, do Tocantins e do Maranhão, estendendo-se também por países vizinhos – Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia e o território da Guiana Francesa. O clima quente e úmido e a densa rede de rios deram origem a uma floresta com grande riqueza de espécies animais e vegetais. Cada nível da floresta é habitado por diferentes comunidades. Os insetos espalham-se do chão às árvores mais altas. Aves e macacos ficam nos níveis superiores. Roedores, anfíbios e animais rastejadores exploram os estratos mais baixos. No solo, estão os felinos, como a onça-pintada e a jaguatirica, os maiores predadores do bioma (presentes também nos demais biomas brasileiros), além de jabutis, cutias, pacas e antas. Jacarés, ariranhas e grandes cobras, como a sucuri, vivem às margens dos rios. Longe de ser homogênea, a área da floresta Amazônica tem manchas de cerrado, com vegetação do tipo savana, adaptada às áreas mais secas; e campos e lavrados como os de Roraima, em que predominam as gramíneas.
    A floresta Amazônica tem vegetação latifoliada, na qual predominam as espécies de folhas largas, comuns em regiões de clima equatorial, quente e úmido. Apresenta três tipos de mata: de igapó, de várzea e de terra firme. A mata de igapó ocorre no solo inundado, principalmente no baixo Amazonas, e reúne espécies vegetais como o mucuri, a sumaúma, o jaruari e a vitória-régia.
    A mata de várzea é própria das áreas periodicamente inundadas, chamadas terraços fluviais. Intermediárias entre os igapós e a terra firme, as espécies da mata de várzea têm formações variadas, como seringueira, palmeira, jatobá e maçaranduba,
    As matas de terra firme correspondem à parte mais elevada do relevo. Com solo seco, livre de inundação, as árvores chegam a 65 metros de altura. Em terra firme, encontram-se espécies como o castanheiro, o mogno e o guaraná.

    MATA ATLÂNTICA (FLORESTA ESTACIONAL)
    Considerada um dos biomas mais ameaçados do planeta, a mata Atlântica é, na verdade, um mosaico de ecossistemas diversificados. Há 500 anos, a mata Atlântica cobria cerca de 15% do que hoje é o território nacional, espalhando-se por 1,3 milhão de quilômetros quadrados na área litorânea do Brasil, desde o Rio Grande do Norte até Santa Catarina. Sua destruição em larga escala começou na segunda metade do século XIX, com a expansão das lavouras de café. Atualmente, a área restante se resume a 7,9% da original, preservada, sobretudo, graças à presença da serra do Mar, que funciona como um obstáculo à ação humana. É o bioma do país mais bem protegido pela lei.
    Muito dos animais brasileiros ameaçados de extinção vivem em suas florestas: espécies de mico-leão, o macaco muriqui (monocarvoeiro), a lontra, o tatu-canastra e a onça-pintada. Com clima tropical, quente e úmido, a mata Atlântica apresenta um relevo de planaltos e serras. Sua área abrange as bacias do Paraná, Uruguai, Paraíba do Sul, Doce, Jequitinhonha e São Francisco.
    Quanto à vegetação, entre as florestas tropicais, a mata Atlântica é a que apresenta a maior biodiversidade por hectare do planeta, com espécies vegetais como ipê, quaresmeira, cedro, palmiteiro, canela, imbaúba, jequitibá-rosa e figueiras.

    MATA DE ARAUCÁRIA (PINHEIRAL)
    Vegetação típica de clima subtropical, a mata de araucária é um bioma associado à mata Atlântica. Originalmente era encontrada em abundância na Região Sul e em alguns trechos do estado de São Paulo. Ocupava cerca de 100 mil quilômetros quadrados, mas, atualmente, está reduzida a 12% dessa área, segundo pesquisa de 2008 da SOS Mata Atlântica. Os espécimes centenários foram derrubados ou queimados maciçamente na primeira metade do século XX, para dar lugar às plantações de milho, trigo e uva e para abastecer as serrarias.
    A vegetação registra árvores aciculifoliadas, com folhas em forma de agulha. A espécie dominante é a Araucaria angustifolia, nome científico do pinheiro-do-paraná, cujo fruto é o pinhão, que atinge mais de 30 metros de altura. Também são importantes o xaxim e a bracatinga, que se desenvolvem sob as araucárias.

    MATA DE COCAIS (MEIO NORTE)
    Ocupa uma zona de transição entre as florestas úmidas da bacia Amazônica e as terras semiáridas do nordeste brasileiro, no Maranhão e no Piauí e no norte do Tocantins. Esse bioma se caracteriza por solos secos e florestas dominadas por palmeiras. O clima é úmido, e a vegetação fica mais exuberante à medida que se avança para oeste.
    Definida como um sistema de transição, a vegetação da mata de cocais inclui palmeiras, como buriti, oiticica, babaçu e carnaúba. No oeste, é mais frequente o babaçu, que chega a atingir 20 metros de altura. No lado seco, a leste, predomina a carnaúba, com até 20 metros de altura.

    PANTANAL MATO-GROSSENSE
    É uma das maiores planícies inundáveis do planeta, distribuída pelo sudoeste de Mato Grosso, oeste de Mato Grosso do Sul, Paraguai e Bolívia. É considerada uma área de transição entre a Amazônia e o cerrado, ao norte, e o Chaco, na bacia do rio Paraguai, ao sul. Esse mosaico de ecossistemas intercala regiões de cerrado e floresta úmida, além de áreas aquáticas e semiaquáticas. O início das chuvas nas regiões altas, em novembro, faz subir o nível dos rios na bacia do Paraguai e há inundação de até dois terços da área pantaneira de planície. A vazão acontece pelo rio Paraguai. Em 2001, o Pantanal foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como patrimônio natural da humanidade.
    A vegetação diversifica-se conforme três tipos de áreas: as alagadas e as que não sofrem inundação. Nas áreas alagadas, a vegetação de gramíneas desenvolve-se no inverno e serve de alimento para o gado. Nas de eventuais alagamentos, encontram-se, além de vegetação rasteira, arbustos e palmeiras, como o buritie o carandá. Nas que não sofrem inundação, predominam os cerrados e, em pontos mais úmidos, espécies arbóreas da floresta tropical.

    ZONAS LITORÂNEAS
    A costa brasileira possui mais de 7 mil quilômetros de extensão em linha contínua e oferece vários tipos de paisagem – dunas, ilhas, praias, recifes, costões rochosos, baías, estuários, brejos e falésias. A região é povoada por uma enorme variedade de animais e vegetais. O litoral brasileiro pode ser dividido em quatro grandes zonas distintas, da região norte para a região sul:

    Litoral amazônico, do rio Oiapoque ao delta do Parnaíba, trecho coberto por manguezais e matas de várzea.

    Litoral nordestino, do delta do Parnaíba ao Recôncavo Baiano, que alterna dunas, falésias, restingas e manguezais. É o habitat de várias espécies de tartaruga e do peixe-boi-marinho, em risco de extinção.

    Zona litorânea do Sudeste, do Recôncavo à divisa entre São Paulo e Paraná. Apesar de ser a região mais densamente povoada, é também a que preserva as maiores porções da mata Atlântica.

    Litoral sul, que abrange a costa de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, caracteriza-se por manguezais, costões e, a partir de Torres, por uma faixa contínua de praia.

    O mangue e a restinga são as formações de vegetação próprias das zonas litorâneas. O mangue é composto de arbustos e espécies arbóreas que ocorrem ao longo de todo o litoral do país. São predominantes as espécies vegetais de troncos finos e raízes aéreas e respiratórias (raízes-escora), adaptadas à salinidade e aos solos pouco oxigenados e lamacentos. Entre os tipos de manguezal, estão o mangue-seriba, o mangue vermelho e o mangue branco. Rico em matéria orgânica, o mangue exerce papel importante na reprodução e no abrigo de espécies da fauna marinha.
    A restinga é uma vegetação de terrenos salinos, formados por areia e pedras e cobertos por ervas, arbustos e árvores. Essa formação ocorre do litoral da Bahia ao do Rio de Janeiro e também no litoral do Rio Grande do Sul. Os destaques são a aroeira-de-praia e o cajueiro. A faixa interiorana é composta de arbustos e árvores, como a caxeta e o jerivá.

    Dados extraídos do Almanaque Abril 2011.

    Antonio Gabriel Cerqueira Gonçalves

    Antonio Gabriel Cerqueira Gonçalves

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    Idealizador do Diário do Verde, Técnico em Qualidade e estudante dos cursos Técnico em Meio Ambiente e Técnico em Administração.


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